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30/7/2010

Sem discussão para a moratória, declara Fazenda


Secretário adjunto da pasta afirma que os casos são tratados de acordo com as necessidadesUm duro recado aos produtores rurais foi mandado ontem pelo governo federal. O secretário adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Gilson Bittencourt, negou que os técnicos da pasta estejam avaliando a possibilidade de conceder moratória a produtores rurais.

A medida beneficiaria agricultores que passam por dificuldades em virtude da redução das margens, da baixa capacidade de endividamento e do fluxo de caixa reduzido.

– Isso não está em discussão. Não existe avaliação no Ministério da Fazenda sobre moratória de uma política que o governo está desenvolvendo – garantiu Bittencourt.

De acordo com o secretário adjunto, o governo vem atuando até em sentido contrário.

– Não há nenhuma razão para que se fale em moratória – disse.

Essa declaração pode ser interpretada como uma resposta da Fazenda a uma possível pressão por parte do Ministério da Agricultura, que estaria finalizando estudos para convencer a pasta a dar um prazo de carência aos débitos rurais.

O secretário salientou que o governo sempre esteve atento à situações excepcionais e que trata desses casos de acordo com as necessidades.

– Situações pontuais sempre foram tratadas. A Fazenda tem considerado a questão do endividamento pontualmente, de acordo com necessidade e realidade – comentou.

Bittencourt lembrou ainda que o governo federal tem dado garantias de preços aos produtores.

– Só em milho, o governo estima gastar R$ 700 milhões este ano para assegurar preço. O trigo estava abaixo do custo de produção e garantimos 100% do Programa de Garantia de Preço Mínimo – enumerou.

Enquanto a Fazenda reforça a sua posição, os produtores ensaiam um novo movimento nacional pela recuperação da renda no campo. Conforme a Federação da Agricultura do Estado (Farsul), a mobilização gaúcha programada para o dia 10 de agosto na Capital deverá ocorrer também nos demais Estados produtores. A proposta do ato é mostrar à sociedade as causas da falta de renda no campo.

Documento do setor será apresentado na Expointer

Para Francisco Schardong, diretor da Farsul, os produtores com possibilidade de pagar o custeio que está vencendo não têm condições de quitar os compromissos anteriores como alongamentos e prorrogações.

– Com isso, se cria uma apreensão grande sobre como chegar ao futuro, porque se não pagar o passado não tem como obter novos financiamentos – reforça o dirigente.

Em reunião realizada esta semana, ficou acertado que no dia 18 de agosto, em Brasília, haverá encontro para elaboração de documento. A proposta será apresentada em 31 de agosto em encontro da Comissão Nacional de Crédito Rural da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, durante a Expointer, no parque Assis Brasil.




Fonte: Zero Hora

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